Observe que da velha guarda só tem o filme do Domingos.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Primeiro Dia de Um Ano Qualquer/ Première Brasil
Observe que da velha guarda só tem o filme do Domingos.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Carta aberta para Dani Barros
Olivier em Hamlet
“Sua coragem intelectual é apenas
comparável ao seu poder de compaixão”. Explico a frase que disse para Dani
Barros depois de assistir “Estamira”. Sei que parece formal e excessivamente
respeitosa, mas é assim que eu fico diante de um grande trabalho artístico. Não
verti uma lágrima durante o espetáculo. Por dentro e por fora me perdiguei em
posição de sentido, como deve ser feito durante as orações. A Estamira de Dani
Barros é grave.
Eu não vi o documentário. O amigo
Prado me perdoe, não foi por falta de estima. É que eu sabia tratar-se de uma
descrição profunda do sofrimento causado pelas doenças mentais e não quis
passar por isso. Imaginei que seria o mesmo que ver uma sessão de tortura. Sei
que dói muito ser louco, embora nunca tenha passado propriamente por isso,
apenas por perto. Minha mulher e os amigos foram ver, mas eu não. Acho que
nunca um documentário ganhou tantos prêmios.
Por essa razão resisti em ver o
trabalho da Dani Barros. Acabei indo, sentando na primeira fila, tanta
insistência dos amigos. Se não caíram as lágrimas durante a representação, não
faltaram logo depois que acabou. Chorei quinze minutos.
O espetáculo transita todo o
tempo muito perto de um sentimento que devia ser proibido na vida e na arte,
que é a autopiedade. Autopiedade é feio, é ignorância: um passarinho cai do
galho morto de frio sem nunca ter sentido pena de si mesmo. Pois bem, Dani
caminha todo o tempo sobre o fio dessa navalha. E não cai. Não toca nunca a
autopiedade. Seu sofrimento é digno, altivo, como deve ser a Arte.
Trata-se de um trabalho sobre a
compaixão, sobre o nobre sentimento da lástima pelo sofrimento humano. As
pessoas de modo geral sofrem tanto quanto podem suportar na sua humana lida. E
nós outros que por vocação amamos nosso semelhante, sofremos também por não
podermos evitar esse fato. A compaixão, que não é exatamente a paixão mas vem
com ela, é um sentimento característico e natural do homem são. Infelizmente
são poucos os sãos.
Quando essa lástima é levada às
suas últimas conseqüências, transforma-se num verdadeiro embate com Deus, Ele
mesmo. Como trava Camus em “O Estrangeiro” (que li aos 18 anos), Dani Barros
nessa peça e Dostoievski toda página. Esse enfrentamento ontológico ultrapassa
o problema social ou qualquer outra objetividade. Assim como ultrapassa a
Denúncia, o Ódio e a Revolta.
É neste terreno, pantanoso porém
florido, que Dani caminha. A mistura que ela propõe, da loucura de sua mãe e de
sua mãe Estamira, é audaciosa. O teatro-confissão, dito na primeira pessoa, é
mais raro do que parece. Almejado por qualquer bom autor, é preciso muita
coragem para colocá-lo em cena.
Não falei com Dani, que não
conhecia antes, mais do que dez minutos ao terminar a sessão. Primeiro quis
aconselhá-la a largar a peça. Ou pelo menos não fazê-la muitas vezes, para não
passar por aquele sofrimento daquele papel muitas vezes. Logo percebi que
estava dizendo uma tolice. Quando alguém alcança, falando de si mesmo, uma obra
de arte, ela não dói mais! Não é mais com ele, é como se fosse com outra pessoa.
Que, esta sim, sofrendo aos estertores, fala por todos, para a humanidade. No
bom teatro o personagem sofre mas o ator não. O ator agradece no final, calmo,
sorridente e privilegiado, a possibilidade de exercer seu ofício.
Resta perguntar quem é Beatriz
Sayad. Ela dirige formidavelmente, na altura de todo o resto. E Soraya canta. Viva o teatro!
Passem lá. Vale a pena. Viver.
Domingos Oliveira para Dani
Barros
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
PRIMEIRA LEITURA
Que tocou uma geração inteira com suas inquietudes adolescentes retorna ao palco.
E eu convido você para assistir, opinar e discutir seu novo texto “Barco de Papel”.
O evento, mágico, ocorrerá no mesmo lugar onde há 20 anos estreou “Confissões de Adolescentes”.
Porão do Teatro Laura Alvin terça feira dia 13 às 21h.
Venha comigo dar as boas vindas a Maria Mariana em seu retorno ao teatro.
Beijos do pai
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
"Domingos" de Maria Ribeiro
O cinema brasileiro passa rápido. Última chance de ver o “Domingos” de Maria Ribeiro.
Cine Glória:16h (exceto seg) e 20h (exceto seg)
Estação Vivo Gávea1: 16h40m
Ponto Cine:14h
“Que ninguém se engane. Maria Ribeiro nos trouxe um ensaio geral para o contato inquietante com o gênio de Domingos. Não foi à toa que seu documentário misturou vida e obra, e nos deu a marcha vital e alegre do cotidiano. Maria percebeu em que direção devemos seguir se nos dispomos a buscar o tesouro. Ela nos convoca para um breve exercício de intimidade e nos lança diante de abismos assombrosos, sorrindo, brincando. Aprendeu com o mestre.”
Luiz Eduardo Soares
“Saí do cinema cheio de sentimentos de gratidão e amizade: grato a Domingos, por ter-me deixado grato à vida, e amigo dele por isso. (…) Enfim, espero que muitas e muitas pessoas vejam esse belo filme de Maria Ribeiro sobre Domingos Oliveira, meu amigo.”
Francisco Bosco
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Mostra Alberto Salvá
Fiquei muito contente com esta “Mostra Alberto Salvá” no Unibanco Arteplex na próxima segunda-feira até 03 de dezembro sábado.
A cinematografia do Salvá é tão secreta que muitos filmes nem eu conheço. Salvá sempre abusou de sua modéstia revoltada e catalã. Fomos bons amigos. Pode ser dito que vivemos uma vida juntos no cinema. Ele foi o editor de “Edu, Coração de Ouro” e outros trabalhos meus, mas isso não é relevante. Relevante é que Alberto Salvá tinha uma inteligência incorruptível e implicante. Muito antagonizado pelo Cinema Novo, e também talvez pelo Velho, era uma figura singular e artista. Sorrio ao me lembrar disso, mas Salvá estava sempre defendendo diretores estrangeiros ou brasileiros pouco conhecidos mas que ele tinha descoberto serem geniais. Sempre tinha visto uma obra-prima aqui outra ali da qual ninguém viu, somente ele. Enfim, conhecemos o tipo. O intelectual garimpeiro, aquele que se dedica inteligentemente a encontrar as pepitas de ouro escondidas no fundo da peneira da arte. Foi um rebelde, dizem que todo catalão é, com causas que talvez somente ele conhecesse. Obras que, por injustiça ou burrice, não tinham sido devidamente apreciadas, tornando-se ele seu divulgador. Somente agora começa a me cair a ficha do Mundo sem Salvá. Não é igual, ele faz falta. Eu por exemplo sempre tive o hábito de mostrar tudo que escrevia em primeira mão para o Salvá. Enfim, poderia falar durante muitas linhas de Albertino. Talvez algum dia eu faça isso. Agora as pepitas são, graças a Recordar e Raconto Produções, as obras que serão mostradas, uma delas inédita. Será mostrada a esquisita e insólita e quase escatológica obra de Alberto Salvá.
Mostra Alberto Salvá
Unibanco Arteplex - Praia de Botafogo 316 – Botafogo, Rio de Janeiro
PROGRAMAÇÃO
SEGUNDA-FEIRA, 28 DE NOVEMBRO
19h00 - O VENDEDOR – 1990, 10 min
em seguida AMIGAS – 2005, 18 min
fechando com COMO VAI, VAI BEM? – 1969, 78 min
***Estarei lá. Não conheço os dois curtas e o longa foi uma experiência curiosíssima de muitos diretores e muitas histórias, como muito depois Altman fez com Short Cuts. Com Paulo José.
NO DIA SEGUINTE
19h00 - UM HOMEM SEM IMPORTÂNCIA – 1971, 70
*** Também é obrigatório estar lá para rever o Vianninha em um de seus mais legítimos trabalhos. E Salvá urdindo um filme sério, quase grave, que até os rapazes do Cinema Novo gostariam. Guardo uma emoção grande deste filme, como sendo o melhor do Salvá. Vou conferir.
QUARTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO
19h00 - INQUIETAÇÕES DE UMA MULHER CASADA – 1979, 78 min
QUINTA-FEIRA, 01 DE DEZEMBRO
19h00 - A MENINA DO LADO – 1987, 95 min
SEXTA-FEIRA, 2 DE DEZEMBRO
19h00 PRÉ-ESTREIA NA CARNE E NA ALMA – 81 min
SÁBADO, 3 DE DEZEMBRO
14h00 AS QUATRO CHAVES MÁGICAS
Contatos:
Recordar Produções – 21-2264 2232 / 21-8115 3553
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