segunda-feira, 25 de agosto de 2008



PRESENTE:

Falar do passado é presente. A palavra "presente" me lembra a melhor definição de Deus. Medieval, se não me engano, de Santo Agostinho.
Leiam três vezes.

"Deus é aquele para quem todos os tempos é Presente."

Como esse blog é um descarado e desleixado rascunho de uma possível e provável auto-biografia, organizo o leitor: por enquanto, gostaria de falar apenas do meu nascimento até o casamento com Eliana. Tem havido uma certa bagunça nisso, mas esse é o meu propósito.


Não sai nenhum dinheiro pro cinema nem pro teatro. O Grupo Fúria, furioso, pode produzir sem dinheiro. Mas é duro. Tenho mantido minha obra escrevendo muito. Nunca tive tantas peças inéditas na minha vida: três peças acabadas e pelo menos três roteiros. Isso começa a me pesar. Adoro escrever, mas atualmente sinto o escrever como quase o não fazer nada. Como os músicos que tocam o jazz, que também é quase não fazer nada. Tenho no meu computador um arquivo esboçado chamado "departamento de vendas", que são umas obras minhas que poderiam ser vendidas para atores ou diretores. Boas coisas esquecidas que fiz no passado. Ninguém aí levanta o dedo como voluntário para ser o gerente do departamento? Se houver, mande currículum que eu devolvo com meu telefone, se interessar.

Esse fim de semana foi entontecedor. Embora extremamente agradável. Entre outros que nem conto, foi sensacional o show! Todo mundo depois me disse que eu estava num excelente estado de espírito, contentamento, etc. Tudo mentira. É o trabalho de ator, e a turma não nota. O contentamento existe, sim. Mas é o prazer de estar fazendo bem o trabalho de ator. Eu, só penso em sexo.
O show é no sábado à noite. O próximo sábado é o último. Vê se vocês vão lá, porra.
No domingo, ao meio dia, tive uma leitura da quarta versão da minha mais recente peça, "Confronto". Uma peça sobre a violência, tráfico de drogas, segurança, essas coisas que todo mundo escreve. Mas a minha está boa. É uma parceria com Luiz Eduardo Soares e que foi aprovada na leitura in totum. Se souber de algum produtor, me avise. Desculpem esse papo de miserável, é que acordei meio deprimido. Toda vez que termino uma coisa, uma coisa que deu muito trabalho, acordo meio deprimido. É o vazio da criação.

Legado.
De hoje em diante, abro uma terceira parte nas minhas postagens. É o legado. Pequena parte, mas todas as vezes. Trata-se de um arquivo meu com histórias, personagens, situações, tantas que gostei a ponto de não poder deixar de tomar nota... mas que jamais terei tempo de fazer. Para fazer os meus projetos prediletos já preciso de um número de anos exuberante, de modo que o legado é pra vocês, leitores-escritores, fazerem com ou sem minha colaboração. E é coisa à beça. Escritores do mundo, uni-vos!

PASSADO:




Na verdade, no "passado" falta a descrição da minha família. Que dá dez livros. Pelo menos "Cinqüenta Anos de Solidão". Tenho dois irmãos mais moços. O Zé e o Raimundo. Combinei uma reunião com eles pra juntarmos recordações sobre as pessoas dessa foto abaixo, feita em 1906, onde estão meu avô, minha avó e todos os meus tios. Já botei no blog, ponho outra vez e tentarei encontrar meus irmãos nessa semana para comentar esse passado distante. Garanto "emoções que eu vivi".




LEGADO PRIMEIRO!


Uma estória real.
Uma mulher, chamemos de Maria, de repente descobre que pegou AIDS e de um caso antigo, chamemos de João. O único com quem transou sem camisinha, só pode ter sido dele. E foi só uma noite, depois nunca mais viu. Ela vai procurá-lo, desesperada e possessa. João leva um susto. Não sabe que tem AIDS. Faz o exame, que dá positivo, e acha que pegou dela. Nesse drama moderno, jamais saberão quem pegou de quem. Na aventura de descobrir, afeiçoam-se, apaixonam-se, casam e estão felizes até hoje. Sem camisinha. Que aliás, é um bom título.


Uma estória de amor sofrido.
Uma mulher com dois amantes. Um muito mais velho e outro muito mais moço que ela. Penso que é uma tragédia. Que o velho planeja matar o moço, que por sua vez, planeja matar o velho, afinal são loucamente apaixonados pela mesma mulher. No desenrolar do crime, é ela quem morre primeiro. O jovem morre também. E fica quem não devia ficar: O velho sobrevive. Ou talvez seja uma comédia.


BOA SORTE, ESCRITORES!

7 comentários:

Anônimo disse...

Oi Domingos,
estou escrevendo pra agradecer pelo show, foi um verdadeiro banho na alma! Este sábado foi especial, talvez porque fosse minha despedida, mas realmente foi muito especial! Adorei nossa dança!
Quanto ao blog, se eu fosse ficar no Brasil agora, pode ter certeza o meu currículo seria o primeiro a chegar na sua mão!
Por enquanto é isso, até breve!
Um beijo,
Dani. (España! rss)

polaroidesliterarias disse...

Escrever em parceria com Dom Oliveira, isso seria do carvalho com certeza. A história do triângulo é especialmente interessante... Uma, digamos, comédia trágica.

Abs

Bayão

João Luiz Azevedo disse...

E aí Domingos, que bom te reencontrar por aqui... estou com saudades das "suas Confissões"... De Adolescentes, das Mulheres de 30, das mulheres de 40... será que não está na hora de escrever/criar as Confissões das Mulheres de 50"???
Pense nisso, pode ser uma boa idéia para um proximo roteiro/peça teatral...
João Luiz Azevedo
azevedojla@gmail.com

Fábio disse...

www.PetitionOnline.com/15121960/petition.html

Domingos, o link acima leva a um abaixo-assinado contra o fechamento do cinema Estação Paissandu, aqui do Rio de Janeiro, anunciado pelo Grupo Estação por falta de investidores dispostos a mantê-lo.

Peço gentilmente que assine e repasse aos seus amigos. A campanha, que espero que chegue à imprensa e consiga motivar algum investidor (seja ele público ou privado), pretende evitar esta perda tão infeliz para a cultura carioca.

É a hora de nos mobilizarmos. Ainda temos que acreditar que a pressão pública é capaz de reverter um acontecimento desfavorável a uma cidade. Afinal, a cidade que não privilegia cultura estará fadada a perder seu rumo, sua identidade. Este desleixo só faz com que uma sociedade regrida ao desprezar e não investir em seus bens culturais. A conta da decadência do Rio de Janeiro já ficou cara demais.

Se quiser ler a matéria publicada no jornal O GLOBO de domingo último, pode acessá-la em www.gda.com/consulta_noticias.php?idArticulo=619841.

Abraço,
Fábio
fabi_coutinho@yahoo.com.br

Fábio disse...

Corrigindo o email acima: fabio_coutinho@yahoo.com.br

Anônimo disse...

meu querido companheiro, as sinopses são boas. mas ficam ótimas quando imagino o que vc faria delas. um beijo, da marcia z

Igor 2m disse...

Domingos, primeira vez q visito seu blog, sou admirador incondicional de sua obra!
Parabéns e obriogado por tudo!

Abraços,
Igor