segunda-feira, 26 de julho de 2010



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Da série: LUGARES ESTRANHOS

(dessa série, já foram postados "O Balão", "O Idiota Plástico" e "A Segunda Chance". Esse agora chama-se "Praia" e é um curtametragem. Curtíssimo. Que eu sonhei outrora, menino, como meu primeiro trabalho no cinema. Façam-no.)

PRAIA
(um curtametragem de um garoto de 18 anos)

Praia movimentadíssima de sábado. Câmera no meio daquela babilônia em pleno caos encontra um casal de pé, discutindo. Não ouvimos o diálogo, mas é evidente que eles estão terminando o caso agressivamente. Ele sai da praia furioso, atravessando o caos.

Corta para a festa, sábado de noite, já no início da madrugada. Muita gente dançando. Ela dança com outro rapaz, muito sensualmente. De repente vemos que ele entra pela porta. Está bêbado, sofrendo muito, custou a ele chegar ali. Ele olha, depois vai direto a ela e pede para conversar um minuto. Encostam-se na varanda que dá para a praia e falam. Não ouvimos o que eles dizem, por causa do barulho da festa. Mas sabemos que é um pedido para que ela volte. Ela recusa. Ele chora, ela chora também. Tudo muito sofrido. Vemos a mesa onde estão as bebidas. Ele serve-se de meio copo de uísque e já estava bêbado. Vira de uma vez só.

Vemos ele completamente bêbado andando pelo calçadão da praia de Copacabana. Tem muita gente, mas ele não ouve ninguém, não vê ninguém. Tem uma garrafa na mão, da qual bebe. Entra pela praia em direção ao mar. Mas a meio caminho, suas pernas fletem e ele cai ali, bêbado.

O sol nasce no horizonte. Ele está lá, dormindo, de paletó e tudo. Agora já está cercado de barracas e gente chegando na praia. Acorda numa ressaca insuportável e imensa dor de cabeça, uma aguda fotofobia. Por um instante, não entende nada. Depois consegue se levantar.

Ele compra água num vendedor. Toma o copo inteiro. Tira os sapatos e o paletó e cai na água. Depois o vemos andando pela praia, ávido, procuando por ela. Carregando o paletó e os sapatos. Ele procura por ela. Meninas de rostos femininos. Mas ela não está lá.

Corta para um edifício elegante. Ele entra lá e toma o elevador, tentando se vestir de um modo decente. Ele está resoluto do que vai fazer. A empregada atende a porta e ele diz, quase sem voz:

- Olívia?

A empregada responde:

- Não está, não senhor. Saiu.
- Onde é que ela foi?
- Foi pra praia.

Corta para ele andando na praia, agora sem camisa, sem paletó e calça. O ruído da praia dá lugar à música romântica que tocava na festa. Ele procura por ela. Não acha. Há muita gente na praia. Cada vez mais gente, cada vez mais. Faz muito calor.
Está cada vez mais ofegante, porém anda cada vez mais depressa.
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É só isso.


ATUALIDADE.

Terminei uma nova peça: "Turbilhão". Com a colaboração de minha querida amiga Tati Muniz. Estou procurando patrocinadores. O que tenho, não dá. Interessados, me procurem.

3 comentários:

Lari Rodrigues disse...

Domingos,
A morte te assusta?
A mim assusta muito, eu queria ser eterna, talvez por isso viva querendo colocar o carro na frente dos boiss.
Dos meus heróis, a maioria morreu, Elis e tom, Vinícius, Fellini, chapplin, entre muitos outros que deixaram sua marca não só na história como na minha vida.
Separações me fez entender a morte, porque ver minha mãe ser aos poucos cruelmente assasinada pelo câncer foi passar por todas as fazes de uma separação.
Separações me despertou o amor pelo cinema quando eu só amava o teatro.
Isso é um pedido, nunca morra, você está proibido de morrer! Você e a priscilla, ainda tem chão, ainda tem muita coisa a ser Criada, encenada.
Você merece mais 200 anos de vida!

黃錢靜怡慧婷 disse...

河水永遠是相同的,可是每一剎那又都是新的。..................................................

Anônimo disse...

Exibimos Separações em uma faculdade em São Luís do MA, foi belíssimo. Criamos um blog para continuar os debates: http://projetocinefama.blogspot.com/

César!