quarta-feira, 9 de julho de 2008

Não tenho tido tempo de completar minhas memórias sobre a infância. Para isso, é preciso entrevistar o meu primo Sérgio. Porque eu era um menino muito maluco naquela época e por isso tenho pouca memória objetiva dessa minha infância. Preciso pelo menos entrevistar o Sérgio sobre o meu tio Jackson. Marido da tia Neném, irmã da minha mãe, e pai do citado Sérgio. O tio Jackson ea o bêbado da família. A família escondia as crianças freqüentemente, trancavam num quarto para que não víssemos, corrompendo assim nossa educação, tio Jackson chegando bêbado em casa. Mas ele era figura notável, cheio de humor e humanidade que, segundo fantasio, me influenciou muito. De modo que para terminar o relato da minha infância eu preciso dele. Minha enorme família já morreu toda ou está muito distante, preciso do Sérgio. Antes de seguir para minha pré-adolescência. Ando fazendo investigações e acho que consigo encontrá-lo nessa semana. A entrevista será sensacional, garanto. Vale a pena esperar. Pelo meu Amacord.
Já leram "Do Fundo do Lago Escuro"?

obs. Enquanto não enconto o Sérgio, a família toda se dispersou. Dedico-me às atualidades.

ATUALIDADES:

Também aqui resolvo dar um balanço. Fazer um retrato completo e detalhado do Domingos hoje. Penso que a graça dessa "blogbiografia" seja justamente assistir o processo. Pelo qual aquele homem de hoje derivou do seu passado...



"Grandes emoções venham ter
Quando o circo aparecer!
Estonteantes atrações:
Girafas, camelos, leões!"



(frase da minha primeira peça profissional, "Estória de Muitos Amores")

Não é fácil dar um balanço de si mesmo aos 72 anos. Certamente terei de mentir muito para evitar narrativas da deprimência da velhice. E é preciso também um método. Método: A profissão, a família, os amigos, as convicções, os planos, a saúde, o mundo e a arte, o homem na solidão. E assim, traço a traço, tentarei desenhar meu perfil atual.
Certamente isso demorará algumas postagens. Só o primeiro capítulo...

A Profissão:

Sempre que alguém me pergunta o que eu estou fazendo profissionalmente, pergunto de volta: "você tem tempo para me ouvir?"

Sou um workahoolic. Embora ache péssima a palavra. Trabalho muito, mas não se trata de uma compulsão, e sim de opção. A gente vai ficando velho, tudo piora no corpo, menos a cabeça. Que também piora mas, de certa forma melhora. Tudo vai ficando muito incômodo pra você, menos o trabalho intelectual. De modo que não há outro jeito senão dedicar-se a ele. Claro que a existência precede a essência, de modo que minha ligação com o mundo é o meu corpo, claro. Mas sou um excelente sublimador em grau dez. Sublimar, para quem não sabe, é uma expressão Freudiana que significa a sua capacidade de utilizar a energia que você ia botar numa coisa, botando em outra. Enfim, é a mentira, é a alma do negócio. Eu e Platão sempre gostamos dessa frase.

Trabalho no cinema, no teatro e na TV. Além de que escrevo, canto e infelizmente danço, mas não sapateio.

Começo o balanço profissional por minhas obras que já estão prontas mas ainda não foram ao ar (penso que essa expressão deve transcender o âmbito da televisão, afinal "the answer, my friend, is blowing in the wind").

Tenho dois filmes prontos para serem lançados e vários roteiros prontos para serem filmados. Falarei muito rapidamente de cada um, só para situar o balanço, as obras não são feitas para serem comentadas e sim realizadas. Por hoje, apenas listo. Acreditando que isso possa ser um gancho para o caro leitor do meu blog. (Já reparou que escrevo uma vez por semana?)

Filmes prontos:

- Juventude
- Todo Mundo Tem Problemas Sexuais
...De alguma forma um documentário que Maria Ribeiro fez sobre mim.

Na gaveta:
(ou seja, buscando dinheiro ou oportunidade)

- Complicações
- Inseparáveis

Roteiros antigos que preciso absolutamente filmar:
(que a julgar por meu número de projetos, deve ocorrer lá pelos 110, 120 anos)

- A Primeira Valsa
- Do Fundo do Lago Escuro
- Doppleganger

E tem mais.

Permitam-me, antes de fechar a postagem de hoje, consultar meu arquivo:
Domingos/diário/antes de partir.

Ei-lo:

Antes de partir, o mínimo. Depois é dádiva, presente, gentileza

1. A Primeira Valsa, filme
2. Complicações, filme
3. No brilho da gota de sangue, filme
4. Inseparáveis, filme
5. Dopplleganger, filme
6. Do fundo do lago escuro, filme
7. Triunfo da razão, filme (inédito de ficção científica)
8. Regiões perigosas: (estórias fantásticas) Algemas; Segunda Chance; A Estrada. filme

1. Dopplleganger, peça
2. Do Fundo do Lago Escuro, peça
3. Cabaré grande, peça
4. Cabaré pequeno, peça
5. Apocalipse Segundo Domingos Oliveira, peça (inédito)
6. Peça infantil: Manhãs de Sol, de Teresa Guimarães
7. Estória de Muitos Amores, peça
8. O Confronto, com Luiz Eduardo Soares, peça
9. As peças Negras – A Causa da Liberdade

1. Tmm montado, edição
2. Thm em caixa de 8, edição
3. Piloto do cabaré, edição
4. Seleção dos melhores momentos da TV

1. Autobiografia, livro
2. FAZER COMO RECURSO OS MELHORES MOMENTOS, LIVRO
3. As testemunhas da criação, livro


GOSTARIA DE VER FEITO POR OUTROS, COM MINHA SUPERVISÃO (pra não deixar fazer besteira):

A Volta Por Cima, filme
O Inimigo Do Povo, MUSICAL
Remasterização do “Todas as Mulheres do Mundo” e do “Princípio e o Fim”
Publicação do “Princípio e o Fim” (o melhor do teatro)
Fábrica de Dramaturgia
Clássicos vistos por, livro
textos para OS GRUPOS, livro
Sétimo Céu, para grupo jovem
Os melhores Anos de Nossas Vidas, filme
Antígona, a origem da tragédia, peça inédita (a única)
Pequena História do Mundo para 100 atores, livro
Filme para crianças: O Dia que os Adultos Desapareceram


Para dar dinheiro:

Todo mundo tem problemas 2, filme
Adorável Júlia, peça
Um caso que eu tive quando me separei de você
Guerreiras do amor
O Imigrante, filme
A Ceia dos Cardeais, peça
...


Fora as idéias que tenho dos os dias embora faça imenso esforço para não tê-las. Que eu me lembra agora, ainda fora dessa lista:

As crônicas do Jabor
A montagem do Farol, do Ubaldo
A peça panorâmica sobre o Millôr


Observo agora, fechando essa postagem, algumas curiosidades:

São quase cinquenta planos, o que prova meu ridículo total. Contando um tempo mínimo para cada plano, mínimo minimorum, de quatro meses para cada plano, são duzentos meses. E contando com a mínima minimíssima dispersão, 250 meses. Trabalho árduo. São mais de 20 anos. Ou seja, tenho de continuar a trabalhar feito um doido até os 92 anos, no mínimo minimorum.

Bem, Carlitos morreu aos cem. Numa noite de Natal.

Sem mais e exausto, me despeço por hoje. Prometo comentar cada um desses planos muito rapidamente e aos poucos. Caso contrário, meu leitor blogueiro mais aficcionado morrerá de tédio.

Na próxima postagem, aventuras internas do meu trabalho atual. Não é nenhum desses anteriores, e sim um show para o Canequinho, anexo do Canecão, que estréia daqui a dois dias, tentando satisfazer o meu grande ego. Apresento e canto no show, sensacional! E ridículo.

3 comentários:

Paulo F. disse...

Morreremos de tédio se não contar cada plano. Esse blog aproximou seu dia-a-dia da gente, coisas que só sabímaos quando já estavam em cena ou na tela, agora vemos ficar pronta.
Continue caro amigo, continue.

mônica disse...

Não deve ser ridículo! Só os ridículos se levam a sério!

Andy Malafaya disse...

Oi Domingos!
Preciso entrar em contato contigo via email! Busco informações a respeito de seus novos filmes.

Vou deixar o meu aqui, de qualquer forma voltarei ao blog. Está maravilhoso.

Um abraço, Andy.
andy.malafaya@gmail.com